Somos parte da natureza e também temos consciência que estamos cada vez mais nos distanciando dela. Estamos aqui por conta do mundo mais que humano da Terra: o sistema solar e a totalidade do Cosmos. No entanto, consideramos o mundo natural inferior ao humano e, portanto, podemos explorá-lo, arrancar suas riquezas, sempre em nome do desenvolvimento.
Em que momento de nossa história, começamos a nos distanciar da natureza e nossa profunda relação com o cosmo?
Do ponto de vista materialista, o cosmos, sistemas solares, planetas, plantas, animais, nós, humanos, surgimos como resultado de processos evolutivos impelidos por forças químicas e físicas. Qualquer tentativa de encontrar mente, alma, propósito na natureza não humana, nada mais seria do que projeção da mente humana e da qual nos afastaríamos a medida que evoluímos intelectualmente. Processo de desencantamento do mundo natural passa a dominar principalmente a partir do século XVII quando a natureza assume características de uma máquina inconsciente, inanimada, sem finalidades próprias, fonte inesgotável de recursos a serem explorados
Atualmente persiste, de modo desigual, a relação de forças entre as experiências de conexões com o mundo natural e a teoria mecanicista que domina as ciências.
Propomos uma conversa sobre a importância do movimento espírita na sustentabilidade ambiental e política. Destacamos a reforma íntima, processo contínuo de autoconhecimento e transformação moral. Baseada nos princípios do espiritismo, para realizarmos uma reforma íntima é necessário identificar nossos próprios defeitos, reconhecer virtudes, vigiar pensamentos e evitar ações destrutivas. Sem dúvida que rever atitudes, autoconhecimento são imprescindíveis para a evolução moral e espiritual de todos nós. A evolução espiritual acontece na relação com o coletivo, sem isso, é apenas um refinamento individual.
A sustentabilidade da política
Se temos que debater a sustentabilidade da vida no nosso planeta, também temos que discutir como as formas de fazermos políticas sejam sustentáveis, no sentido de serem a construção de um caminho sólido para as gerações futuras, darem continuidade a um sistema de construção de políticas que deva seguir uma evolução e não retrocedimentos, para isto temos que ter consciência de que quanto mais pessoas estiverem envolvidas no desenvolvimento das chamadas políticas públicas, ou seja, as políticas do Estado, que visam atender e resolver os problemas que a maioria de nós passamos. Quanto mais pessoas participarem dos processos que determinam estas políticas, como por exemplo uma política de habitação, uma política de educação, de saúde, de saneamento, quanto mais pessoas participarem, mais fácil será de que o caminho optado, seja o que realmente vai de forma rápida e consistente resolver os problemas de nossa população.
Esta forma tem encontrado no direito brasileiro a designação de CONTROLE SOCIAL, ou seja, se uma Política Pública surge através de mecanismos que realmente tenham a participação efetiva da população, uma participação real, não só aquela de pode r votar num plebiscito, mas também de poder acompanhar a construção e a efetivação da política pública decorrente.
Concretamente a designação Controle Social na legislação brasileira, hoje já é lei, tendo sido colocado como um princípio nas leis de Saneamento Básico e na de Resíduos Sólidos, mas também na nossa Constituição, nos capítulos da Educação e da Cultura, faltando ainda amadurecer o exatamente como.
Um bom exemplo é o Conselho Nacional das Cidades, que tem sob sua designação as políticas de habitação, de saneamento, de mobilidade, de planejamento urbano e de atendimento as necessidades da população das periferias das cidades.
Dentre estas políticas a do Minha Casa, Minha Vida, política central do Governo Federal para resolver o déficit habitacional da população mais carente, entre as formas de exercer está o Minha Casa, Minha Vida Entidades, onde cooperativas de trabalhadores se candidatam a fazer as construções, com isto com custos menores, esta alternativa teve sua execução reativada a partir da reativação do Conselho Nacional das Cidades, fórum de controle social para as políticas de habitação, onde a representação dos movimentos sociais leva suas demandas, acompanha a inclusão delas na política pública e acompanha até a sua concretização.
Regina Longaray Jaeger
Psicóloga, Doutora em Psicologia Social e Institucional.
Funcionária aposentada da Fundação de Atendimento Socioeducativo/RGS
Atualmente desenvolve atividades com artes expressivas e meditação/mindfulness
Darci Barnech Campani
Doutor em Engenharia e Mestre em saneamento ambiental/UFRGS
Professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da UFRGS
Vem se dedicando a difusão da vermicompostagem (minhocas) e atua em várias entidades ambientalistas e sindicais.
Representante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Conselho Nacional das Cidades.
Desenvolve atualmente estudos em controle social.
