Levantamento mediúnico acerca da percepção de espíritos sobre o preconceito em relação às pessoas negras

Artigos
Por Alcione Moreno 7

O artigo apresenta uma pesquisa mediúnica sobre a percepção dos espíritos sobre o preconceito em relação às pessoas negras. Após pesquisa bibliográfica sobre os negros e sua cultura, o grupo confeccionou e aplicou questionário e, a partir das respostas de diversos Espíritos obtidas por via mediúnica, corroborou que é provável que as pessoas negras sofrem preconceitos no plano espiritual também, que a encarnação que tiveram como escravizados, na maioria das vezes, prejudicou sua evolução. Todos manifestaram dificuldade maior para dirimir os sofrimentos impostos pelos brancos, e nenhum dos espíritos comunicantes escolheu ser escravizado.

INTRODUÇÃO

  • Um pouco de história –

O continente africano é reconhecido como o berço da humanidade, onde foram encontrados os fósseis mais antigos da espécie humana, especialmente na região oriental. Além de sua relevância arqueológica, a África abriga uma diversidade cultural e linguística que moldou não apenas sua própria história, mas também influenciou o desenvolvimento da civilização mundial. Civilizações como Núbia, Egito, Cartago, Etiópia, Gana, Mali, Songhai, Benim, Zambézia e Kuchs desempenharam papéis fundamentais na construção de sistemas políticos, econômicos e culturais que ecoam até hoje.

A contribuição dos povos africanos para a formação das civilizações antigas constitui um tema central nas reflexões de Cheikh Anta Diop [2025]. O autor sustenta que “os egípcios eram negros e o povoamento da África acontece a partir do Vale do Nilo”, destacando a homogeneidade étnica das populações africanas e sua capacidade de criar os elementos fundamentais da civilização. Esse processo, segundo Diop, decorreu da adaptação às condições geográficas favoráveis, que transformaram determinados territórios em polos de atração para comunidades vizinhas, deserdadas e atrasadas. A mestiçagem resultante desses contatos, portanto, deve ser compreendida como consequência da civilização já consolidada pelos africanos, e não como sua causa.

Além disso, Diop enfatiza a dimensão política e cultural da dominação, ao afirmar que “o uso da alienação cultural como arma de dominação tem a idade do mundo; todas as vezes que um povo conquistou outro, ele a utilizou”. Essa observação revela a permanência histórica de estratégias de subjugação que operam não apenas pela força material, mas também pela manipulação simbólica.

A reflexão sobre a centralidade da África na formação das civilizações antigas, desenvolvida por Cheikh Anta Diop, encontra continuidade nas análises contemporâneas de Grada Kilomba [2019] acerca do racismo e da construção da diferença.

Kilomba desloca o debate para o campo discursivo e psicológico, ao afirmar que “não se é diferente, torna-se diferente por meio de um processo de discriminação”. O racismo, segundo a autora, não possui base biológica, mas se estrutura como uma cadeia de palavras e imagens que, por associação, produzem equivalências estigmatizantes, por exemplo: africano, África, selva, selvagem, primitivo, inferior, animal, macaco. Analisando psicologicamente este processo, há um deslocamento, uma função defensiva psicológica, por parte dos brancos, particularmente dentro da fobia e da censura, que para atenuar estes sentimentos tomamos por exemplo filmes como: Tarzan, King Kong, o rei Leão etc. Essa construção discursiva não se limita ao nível individual, mas opera como um problema estrutural e institucional, sustentado por hierarquias históricas, políticas e econômicas.

Kilomba identifica três dimensões simultâneas do racismo: a construção da diferença (é o sujeito negro diferente do sujeito branco ou o contrário, é o branco diferente do negro?), a atribuição de valores hierárquicos a essa diferença e o exercício do poder que legitima tais processos. O resultado é a produção de traumas coletivos e individuais, nos quais sujeitos negros são violentamente separados de suas identidades e compelidos a adotar sinais de branquitude como estratégia de sobrevivência social. Essa análise evidencia que o racismo não é apenas uma prática de exclusão, mas um mecanismo de violência simbólica que perpetua desigualdades e reforça padrões normativos de poder. Uma pessoa apenas se torna diferente quando dizem para ela que ela difere daquela/es que têm o poder de se definir como “normal”.

Apesar da pluralidade de línguas, há conceitos filosóficos que atravessam fronteiras culturais. Um exemplo é o Ubuntu, presente nas línguas zulu e xhosa, que pode ser traduzido como “eu sou porque nós somos”. Não à competição e SIM à cooperação. Essa visão de mundo enfatiza a interdependência entre os seres humanos, a harmonia com os ancestrais e deuses, e a comunhão com a natureza. Diferente da lógica competitiva que marca muitas sociedades ocidentais, o Ubuntu valoriza a cooperação, a solidariedade e o cuidado mútuo.

A África também é o berço de importantes avanços científicos. O osso de Ishango, encontrado na região de Ishango, é considerado uma das primeiras evidências de conhecimento matemático da humanidade, datando de aproximadamente 20.000 anos. Além disso, estudos linguísticos apontam para a invenção da escrita em diferentes contextos africanos, reforçando a ideia de que o continente foi protagonista na construção das bases do saber humano.

A África constitui o único continente cuja população foi sistematicamente transformada em objeto de comércio: desmembrada, escravizada, segregada coletivamente da sociedade e privada de seus direitos, em benefício direto das economias europeias.

Muitos se perguntam por que, diante da superioridade numérica, os negros não se revoltavam. A história demonstra, contudo, que as revoltas negras ocorreram com frequência em diversos lugares, mas foram cruelmente reprimidas, silenciadas e raramente registradas. Hoje, graças aos escritos de intelectuais negros e ao aprofundamento do conhecimento histórico, compreendemos melhor essa realidade. O exemplo mais emblemático talvez seja a independência do Haiti em 1791, cuja trajetória ainda enfrenta os efeitos das estruturas coloniais.

Djamila Ribeiro (2020) relata: em vez de formular a clássica pergunta moral — “Eu sou racista?” — e esperar uma resposta confortável, o sujeito branco deveria questionar-se: “Como posso desmantelar meu próprio racismo?”. A recusa em superar a ideia de supremacia branca impede, igualmente, a possibilidade de reconstruir uma noção efetiva de igualdade racial.

A autora destaca que “a discussão pertinente é a que denuncia como as culturas negra e indígena foram historicamente expropriadas e apropriadas. Nos processos de colonização, impôs-se a visão cultural do colonizador e se expoliaram os bens culturais”. Neusa Santos, citada por Ribeiro [2020], acrescenta: “A sociedade escravista, ao transformar o africano em escravo, definiu o negro como raça, demarcou seu lugar, a forma de tratar e ser tratado, os padrões de interação com o branco e estabeleceu o paralelismo entre cor negra e posição social inferior”.

Frantz Fanon [2020] observa que todo povo colonizado, ao ter sua originalidade cultural sepultada, vê-se confrontado com a linguagem e os valores da nação colonizadora. Aimé Césaire [2008], por sua vez, afirma que “a colonização desumaniza até o homem mais civilizado; fundada no desprezo pelo nativo, tende a modificar também o colonizador, que, ao acostumar-se a ver o outro como animal, acaba por transformar-se, ele próprio, em animal”.

As consequências desse processo são devastadoras: sociedades esvaziadas de si mesmas, culturas destruídas, instituições solapadas, terras confiscadas, religiões assassinadas, expressões artísticas aniquiladas e possibilidades extraordinárias suprimidas. Milhões de pessoas foram submetidas ao medo, ao complexo de inferioridade, ao servilismo e ao desespero. Essa economia de exaustão dos corpos está historicamente ancorada na escravidão, sustentada pelo medo como instrumento de conformismo e consentimento. A colonialidade instituiu, assim, uma política de vidas descartáveis, cujo objetivo era servir ao capitalismo racial, explorando, dividindo e decidindo quais vidas importavam e quais não importavam.

Aimé assegura “Economias naturais e sustentáveis, como as dos povos indígenas, foram desorganizadas; culturas alimentares destruídas; a subnutrição instalada; e o desenvolvimento agrícola orientado exclusivamente para o benefício das metrópoles. O roubo de produtos e matérias-primas consolidou esse sistema. Cada negação de justiça, cada repressão policial, cada manifestação sufocada em sangue revela o preço das sociedades comunitárias, anticapitalistas, democráticas e fraternas que foram desmanteladas”.

  • A questão do preconceito no Brasil

As pessoas pretas, descendentes dos povos escravizados, nos anos de 1960 a 1980 foram forçadas pelos meios de comunicação vigentes a acreditarem numa democracia racial, ao enganoso discurso oriundo de teorias farsantes que difundiam que o nosso povo era uma raça “morena”, oriunda de três raças tristes que originaram essa nação, teoria defendida pelo sociólogo e antropólogo Gilberto Freire (1900-1987), autor de Casa-Grande e Senzala. Na verdade, a população negra sempre enxergou a sua triste sorte e sempre também lutou, mesmo que com o “banzo”, para fugir do seu destino. O engodo do país onde não existia racismo não se sustentava, o povo preto sofria a perseguição policial, a exclusão dos meios de produção, a discriminação em meios sociais que não o aceitavam. Não existiram por exemplo na televisão modelos negras; nas telenovelas, negros só viviam personagens em que eram criados ou escravos. Mas como foi que essa realidade tão cruel foi construída?

O início de tudo foi de fato a expansão marítima mercantilista de Portugal e Espanha para ampliação do comércio e busca de riquezas para fora de suas fronteiras, podendo ser considerado o início do capitalismo e sua amplificação. A descoberta do Brasil (invasão) em 1.500 da nossa era, é o marco zero dessa nação chamada Brasil, antes a linda Pindorama, pindó-rama (“terra das palmeiras”), nome que os povos originários davam para essa terra.

Portugal era uma superpotência no século XVI, poder oriundo da navegação e de um profundo sentimento de identidade nacional fundamentado pela autoridade do catolicismo.

O contato de Portugal com diferentes sociedades africanas se estabeleceu a partir de 1433, quando o cabo do Bojador foi rodeado por navegadores. Descobriu-se que o continente africano era muito mais extenso e enigmático do que poderiam supor. O início do comércio transatlântico de africanos escravizados com as sociedades africanas estabelecidas já soberanas e autossuficientes, “guinéus” como conheciam os portugueses, foi travado depois de muitas tentativas de dominação militar e política. O contato com esses povos soberanos foi o que deu início a expansão do tráfico de pessoas do continente africano e foi o que culminou na maneira como o mundo colonial nas Américas foi desenvolvido, assim como o crescimento do capitalismo e da era moderna.

O racismo foi consequência da escravidão e sua violenta opressão de pessoas ao trabalho forçado, pessoas essas submetidas a toda sorte de ignomínia e tortura que pode sofrer um ser humano. A crueldade do escravocrata moderno é sem sombra de dúvida a maior chaga que humanidade tem a expurgar, tendo como sua consequência imediata o racismo.

No período Joanino (1808 – 1821), uma Instituição lisboeta, a Intendência Geral da Polícia da Corte foi replicada no Rio de Janeiro. A Intendência de Polícia se constituiu como uma espécie de elo entre as diferentes instâncias administrativas da cidade.

É fundamental destacar que uma função nevrálgica desse órgão era o controle da população escravizada, controle esse que fazia uso deliberado da violência, desrespeitando inclusive os procedimentos legais. O major Vidigal, uma das figuras-chave da Intendência de Polícia no período joanino, alegava que a pele negra já era por si só um indício de criminalidade – uma prática que atravessou toda a história do Brasil Império e que se faz sentir na atuação da Polícia Militar.

Também cabia à polícia a aplicação de castigos a escravizados que cometiam delitos, além da busca e do aprisionamento de foragidos. Tanto assim era que havia uma prisão específica para escravizados, o Calabouço, para onde eram enviados aqueles que haviam tentado fugir, os que de alguma forma tinham desrespeitado as leis municipais, os capoeiras e quem havia sido enviado pelo proprietário. (Holloway, 1997).

Trabalho, o elemento disciplinador da população de então.

A competitividade do mercado de trabalho criada pelo excesso de trabalhadores negros e brancos e a preferência pelos últimos fizeram com que muitos homens negros tivessem que se contentar com trabalhos temporários, bicos e biscates.

O Código Penal criado auxiliava as autoridades a manter o controle da população, não fazia nenhuma referência explícita à questão racial, assim como as Constituições de 1824 e 1891, no entanto, o Capítulo XIII tratava de “vadios e capoeiras”. De acordo com a letra da lei, todos que não exercessem profissão, não tivessem meios de subsistência ou manifestassem ofensa contra a moral e os bons costumes seriam presos por um período de quinze a trinta dias. Se tivessem entre 14 e 21 anos seriam recolhidos em estabelecimentos disciplinares industriais.

Na era Vargas, a Eugenia e o racismo científico estavam validados. O combate às práticas criminosas também esteve pautado pelos ideais da eugenia. O governo Vargas foi responsável pela implantação de um projeto que pretendia cientificar os órgãos policiais e de repressão. A ideia era começar pelo Rio de Janeiro para depois estender o modelo para o restante do Brasil. O objetivo central do projeto era usar a ciência para instrumentalizar tecnicamente a polícia, a fim de conhecer e identificar criminosos potenciais. Para tanto foi criado o Gabinete de Identificação Criminal e o Laboratório de Antropologia Criminal, ambos em 1931.

Dessa forma, esses dois braços científicos das forças de repressão da polícia do Rio de Janeiro estavam embasados no racismo científico que datava da Primeira República, reunindo estudos de antropologia criminal, medicina legal e psiquiatria. O intuito era combinar essas áreas para criar perfis que permitissem identificar possíveis criminosos brasileiros, a fim de garantir uma ação profilática da polícia, que poderia até mesmo antever atividades criminosas. Se a Era Vargas foi marcada pela regulamentação do mundo do trabalho, também houve um esforço significativo das forças estatais em regulamentar o “não trabalhado”, numa espécie de caçada a tudo que pudesse macular o processo civilizatório que se implementava. O tipo de cabelo, o formato do nariz e do rosto, a cor da pele eram critérios fisionômicos utilizados para desenhar os criminosos potenciais e indesejáveis. A pseudociência legitimou que ações da polícia continuassem tornando negros e pardos suspeitos em ações arbitrárias (Cunha, 2002). Pouca coisa mudou até os dias de hoje.

  • A metodologia de diálogo com os Espíritos e a postura ética do Espiritismo

No capítulo XXVI do Livro dos Médiuns, Perguntas que se podem fazer, item 287, sobre a pertinência de se realizar perguntas, Kardec (1987) relata:

“Longe de terem qualquer inconveniente, as perguntas são de grande utilidade para a nossa instrução, quando a sabemos formular nos limites convenientes. E oferecem ainda outra vantagem, pois ajudam a desmascarar os Espíritos mistificadores. Estes, mais pretensiosos do que os sábios, raramente suportam a prova de um questionário formulado com lógica cerrada, cujas perguntas os levam aos seus últimos redutos. Como os Espíritos realmente superiores nada tem a temer de semelhante processo, são os primeiros a sugerir que se peçam explicações sobre os pontos obscuros. Os outros, pelo contrário, temendo enfrentar argumentos mais fortes, empenham-se cuidadosamente em evita-los”.

Ele instrui sobre como devemos formular as perguntas. Entretanto, é importante reconhecer que essa foi uma das maiores dificuldades do grupo, senão a maior: a confecção das perguntas. O grupo, apesar disso, encarou a confecção do questionário, reverenciando sempre o pensamento arguidor de Kardec.

No Livro dos Espíritos, no livro II – Mundo Espírita ou dos Espíritos, capítulo I – Dos Espíritos, no VI – Escala Espírita, item 100 – Observações Preliminares, Kardec orienta que: “a classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram”.

Ainda neste texto ele relata:

“Os Espíritos admitem, geralmente, três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, aquela que se encontra na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo de praticar o bem: são os Espíritos bons. A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, que atingiram o supremo grau de perfeição”.

Todas as comunicações recebidas foram devidamente analisadas e checadas, e obtivemos comunicações de espíritos imperfeitos e bons, seguindo a classificação de Kardec.

Através das leis morais, contidas no Livro dos Espíritos (1979), o caminho de nosso aperfeiçoamento.

No capítulo sobre Lei de Liberdade, item II – Escravidão, na orientação da pergunta 829, ele relata que: “A lei humana que estabelece a escravidão é uma lei contra a Natureza, pois assemelha o homem ao bruto e o degrada moral e fisicamente”.

E em Lei de justiça, amor e caridade, comentário da pergunta 884: “A lei de amor e de justiça proíbe que se faça a outrem o que não queremos que nos seja feito, e condena, por esse mesmo princípio, todo meio de adquirir que o contrarie”.

OBJETIVO

  • O objetivo desta investigação foi promover, no GELP (Grupo Espírita Livre Pensador, de São Paulo), a pesquisa e o estudo sobre o tema relativo ao preconceito em relação às pessoas negras, a partir de informações obtidas através de comunicações com espíritos.
  • Este trabalho objetiva compartilhar os resultados da pesquisa com outros grupos espíritas em geral, de forma a replicar o questionário, pois como ensina Kardec as reuniões mediúnicas têm 3 pilares: os Espíritos, os médiuns e o grupo. Todos muito importantes para que possamos não só tentar utilizar o Controle Universal, como também podermos mapear as diferenças de cada grupo.

METODOLOGIA

  • A Metodologia e o grupo de pesquisa

A metodologia do trabalho seguiu as seguintes fases:

1. Escolha do tema de pesquisa pelos membros do GELP (Grupo Espírita Livre Pensador).

2. Estudo teórico prévio do tema escolhido pelos membros do grupo, com a seleção de bibliografia específica. O estudo é dividido entre os membros que preparam sua exposição para o restante, a maioria dos membros dão aulas, e em paralelo, houve debates para trocas de contribuições.

3. Confecção de questionários, para serem propostos aos Espíritos.

4. Aplicação propriamente da investigação, no período de 29/06/2023 a 12/12/2024, a partir do diálogo com diversos Espíritos que se manifestaram através de alguns médiuns do grupo GELP.

5. Tabulação das informações e Análise dos Dados e Resultados.

Durante a pesquisa, participaram 9 pessoas do grupo GELP (v. Fig. 1), incluindo 4 médiuns (2 mulheres e 2 homens). Todos os médiuns têm mais de 50 anos e mais de 20 anos no mediunato. Apenas um médium se comunica de cada vez. Nesta investigação tivemos uma exceção, houve a interferência de outra médium conforme um espírito estava se comunicando. Não realizamos evocação.

O grupo existe desde 2010. Importante notar que ele entende o fenômeno mediúnico como um fato natural, e é orientado sob as diretrizes teóricas, técnicas e éticas da Kardequiana. O GELP segue a classificação e a orientação de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. A reunião mediúnica acontece na última quinta-feira de cada mês. Os tipos de mediunidade utilizadas ao longo da pesquisa foram: Psicofonia consciente (a grande maioria), psicografia e vidência. Todas as comunicações foram gravadas e transcritas. Além disso, uma vez por mês, se realizava uma reunião com a finalidade de analisar criticamente todas as comunicações recebidas.

Fig. 1 – O GELP. Da esquerda para a direita: Magda, Márcio, Rosana, Alcione e Marlene na frente. Márcia, Gilberto, Flávio e Tânia atrás.

O GELP conta com um grupo de guias espirituais, e desta vez foi pedido a um deles que assumisse o comando, o que eles fizeram rapidamente. O trabalho mediúnico foi iniciado e um espírito se comunicou, dizendo que era ele quem estava no comando e que seu nome era Eleno.

É interessante notar que, assim que uma das participantes ouviu o nome, pensou: “Será que é Eleno com E ou com H”? e continuou seu pensamento com: “Que dúvida ridícula” Enquanto pensava na segunda frase, o espírito já respondeu: “Eleno com E”.

Iniciamos a investigação em 29.06.2023. Nossos encontros começavam com a leitura de um pequeno texto e, nessa investigação, lemos poesia do livro “Emoções em 4 linhas”, de Manoel Selvera Dalci. Em seguida, fazíamos uma vibração preparatória e aguardávamos as comunicações. Não eram realizadas evocações específicas.

  • O Questionário básico proposto aos Espíritos:

As questões foram pensadas, discutidas e confeccionadas durante reunião preparatória após estudo aprofundado do tema. A elaboração do questionário continua sendo um dos maiores desafios do grupo.

Nesta investigação, que é a 4ª do grupo, a partir de sugestões de amigos, começamos com quatro perguntas sobre o perfil do espírito comunicante. Esta inclusão foi muito acertada, pois pudemos fazer uma ideia muito melhor de quem estava se comunicando. As perguntas 5 a 10 continham a palavra preconceito, que se mostrou nova para a maioria dos espíritos comunicantes, já que ela não fazia parte do contexto histórico sociocultural da época a que pertenceram. Seguem as perguntas do Questionário:

1ª PARTE – Perfil do espírito comunicante:

1. Como você se sente?

2. Como você está percebendo o nosso ambiente?

3. Como foi sua passagem ao mundo espírita?

4. Como tem sido a sua vivência no mundo espiritual?

2ª PARTE – Pesquisa propriamente dita:

5. Você teve alguma experiência com preconceito com relação à pessoa negra? Qual? Como você lidou com isso?

6. Você já teve atitudes preconceituosas? Quais?

7. Há preconceito com relação as pessoas negras no mundo espiritual?

8. Conforme sua percepção qual o motivo do preconceito que sofre as pessoas negras?

9. O que se faz para minimizar o preconceito com relação as pessoas negras?

10. Qual o impacto do preconceito com relação as pessoas negras para a evolução do espírito?

RESULTADOS e DISCUSSÃO

A primeira comunicação surpreendeu todo o grupo. Ela se apresentou como Dª Maria, proprietária de terras, e afirmou que sabia que estava desencarnada, mas continuava com seus afazeres normalmente. Quando questionada sobre isso, disse que passava os dias bordando, tinha escravos a seu serviço e, se houvesse algum problema, seu capataz os “corrigia” e não os deixava escapar. Ela dizia estar muito feliz assim e era assim que queria continuar sua vida.

Seis espíritos se comunicaram demonstrando grande sofrimento. Um deles relatando que estava num navio negreiro, sugerindo que o navio mencionado estava afundando e os negros estavam acorrentados, afogando-se junto com o navio. Outro, afirmou que foi morto sob tortura porque foi capturado após escapar e disse que havia um ferro enrolado em sua cabeça, que estavam apertando, e ele estava com muita dor: “De cima, eu me vejo lá embaixo, com algo de metal, há alguns parafusos e eles estão apertando, apertando as porcas.”

A dirigente do grupo, por inspiração, continuou dizendo: “Preste atenção, vou ajudar a libertá-lo” e colocou as mãos sobre a cabeça da médium. O espírito disse: “É isso, é isso, estou melhorando”. Ela então respondeu: “OK, parece que você está livre”. Em paralelo, todo o grupo permaneceu muito concentrado, enviando vibrações para o espírito. Ele imediatamente apreciou a ajuda dela, e sentiu que estava livre, tentando entender por que conseguia se ver de cima, e se despediu com a ajuda dos amigos espirituais ao seu redor.

Ao final do período da pesquisa, foram obtidas 28 comunicações espirituais, sendo 7 dos responsáveis espirituais pelo trabalho do grupo, 11 com respostas à pesquisa e 10 que extrapolaram a pesquisa. Sendo que uma comunicação de orientação foi após uma mediunidade de vidência relatando presença de um grupo de homens, mulheres e crianças acorrentadas, quando o grupo fez uma vibração específica.

A seguir, apresentamos uma tabulação de conteúdos selecionados das comunicações espirituais recebidas durante a investigação.

  • Tabulação (análise dos dados e resultados) – geral (*)

(*) A tabulação detalhada com a íntegra das 28 comunicações dos espíritos está disponível com o grupo GELP.

  • Comunicações dos responsáveis pelo grupo espiritual = 7

No.

DATA

Identificação do Espírito

Mensagem / Observação

1

29/06/23

Aderbal

Opinião sobre a nova pesquisa (estávamos estudando o assunto).

2

28/09/23

Eleno

Início da pesquisa propriamente dita – Se apresentou como o responsável pelo grupo espiritual nesta pesquisa.

“Eleno com E”, em resposta à pergunta mental de uma das participantes.

3

14/12/23

Eleno

Última reunião do ano – Reflexões sobre o andamento da pesquisa.

4

11/07/24

Anderson

Libertar-se do controle e questionamentos na reunião de intercâmbio. Ter confiança.

No questionário a palavra preconceito aparecia em todas as perguntas e ela não era conhecida, no contexto histórico da pesquisa.

5

29/08/2024

Gabriel

Após a vidência relatada acima, comunicação explicando o grupo de espíritos que ele trouxe para a reunião, orientando que “Um pequeno movimento pode caminhar em direção a cura”.

6

31/10/24

Eleno

Orientação ao grupo – Todos os participantes do grupo são úteis e importantes.

Espírito: “Há uma dispersão. Quando se consegue uma harmonia entre todos, a potência se eleva. Se empenhem cada vez mais nesse propósito que abraçaram. Um ajudando o outro a se fortalecer, fortalece o grupo como um todo”.

Grupo estava disperso, com outras preocupações

7

12/12/24

Eleno

Agradecimento pela pesquisa. (Encerramento dela).

  • Comunicações que extrapolaram a pesquisa = 10

No.

DATA

Identificação do Espírito

Mensagem / Observação

1

28/09/23

Dª Maria (fazendeira)

Senhora de escravos que se encontra no mesmo padrão mental de quando desencarnou no século XVIII, mas sabe que está desencarnada. Se preocupa em continuar sendo bem servida. Desconhece a palavra preconceito.

2

25/04/24

Capitão do Mato – João (Capataz)

Estava se arrependendo, tentando melhorar. Constrangimento pelo que fez. Difícil encarar os negros que torturou.

3

23/05/24

Capitão do Mato (se identificou desta maneira)

Capitão do Mato Relatando o prazer de torturar, contando as torturas com detalhes.

Neste dia a comunicação foi interrompida, pela fala de outra médium, com o espírito que se apresentou como mulher, Maria. Dizendo: “Soberba, Soberba, Soberba”.

Depois Maria pediu desculpas, disse que a médium é muito educada, foi difícil, mas ela não podia deixar de interromper a comunicação do Capitão do Mato.

4

27/06/24

Sem identificação

Relato de assassinato num navio negreiro. Estava em sofrimento.

5

27/06/24

Sem identificação

Relato de assassinato por ser homossexual, pobre e preto. Estava em sofrimento.

6

11/07/24

Sem identificação

Relato de assassinato no quilombo invadido.

7

29/08/24

Gabriel

Orientação de que trouxe um grupo de pessoas para serem ajudadas.

8

26/09/24

Maria do Carmo

Mediadora entre a fazendeira (Dª Maria) e escravos que ainda se veem nessa condição.

Única Psicografia. Transcrição abaixo pelo teor elucidativo.

“Branca que se indignava com o tratamento que era dado aos “pretos”. Hoje estou nesse “grupo” onde a Sra. Dona Maria diz que comanda.

Na verdade, criou-se um ambiente onde os “escravos” se reúnem. Espíritos que se atraem e que ainda não se despertaram e ela, na sua visão fechada e arcaica, acha que eles a servem.

Na verdade, plasmaram um espaço onde acham que se protegem.

Eu, na época em que vivia, me incomodava e ficava triste com a situação. Mas era uma na luta contra muitas pessoas e muitos interesses.

Agora estou, por assim dizer, “mediadora” entre essas duas posições. Ela como senhora de escravos e eles que ainda se veem nessa condição. E junto com outros tantos, trazemos eles a grupos para que possam ouvir e refletir sobre a sua condição.

Esse trabalho que aqui fazem tão especificamente voltado ao preconceito de raça é raro. Na verdade, é o único que conheço. E teve um papel preponderante para já perceber uma transformação no grupo, inclusive na diminuição desses negros em torno dela.

Sou Maria do Carmo e peço, humildemente, para que mesmo que o objeto de seus estudos, vocês falam Pesquisa, mude, peço que sempre que possível, enviem os pensamentos aos que se encontram perdidos, enclausurados em pensamentos de negação da realidade do continuum da vida.

Não só pretos/escravizados, mas todos que foram enxotados pelos seus grupos. Muita paz e harmonia a todos!”

9

31/10/24

Dª Maria fazendeira

Muito brava porque: “Estão diminuindo meus negros escravos. Quem está dispersando eles? Meu capitão do mato não acha eles”.

10

28/11/24

Sem identificação

Relato de assassinato sob tortura (negro capturado após fuga). Em sofrimento.

  • Comunicações COM respostas à pesquisa = 11

PERGUNTA

Respostas

Mensagem / Observação

  1. Como você se sente?

3

8

Se sentem bem

Ainda magoados, com altos e baixos

Esp.: “Fui batizado cristão pelos mesmos que diziam que eu não tinha alma”.

  1. Como você está percebendo o nosso ambiente?

11

Todos se sentem bem percebendo nosso ambiente

  1. Como foi sua passagem ao mundo espírita?

6

3

2

Alguma dificuldade

Foram várias – a última foi tranquila

Não senti diferença

Esp.: “A morte simplesmente é uma mudança de estado, só. Não existe trauma com relação a morte, existe mais trauma com relação ao que você fez na sua vida”.

  1. Como tem sido a sua vivência no mundo espiritual?

4

2

4

1

Difícil de entender/lento

Readaptando

Excelente, tranquilo

Não respondeu

  1. Você teve alguma experiência com preconceito com relação à pessoa negra? Qual? Como você lidou com isso?

5

2

2

2

Sim

Não sei

Ódio de branco

Não responderam

  1. Você já teve atitudes preconceituosas? Quais?

6

1

4

Sim

Eu não tinha preconceito, eu tinha raiva do diferente

Não responderam

Esp.: “Depois de um tempo, um dia, eu ouvi uma voz, me perguntaram se eu queria voltar e que eu voltaria como branco e eu voltei como branco. E aí, o meu ódio, minha raiva foi dirigido aos pretos. Quando eu morri de novo, eu descobri que na verdade eu não tinha o que vocês chamam de preconceito, eu tinha uma raiva de qualquer coisa que fosse diferente do meu jeito de pensar”.

  1. Há preconceito com relação as pessoas negras no mundo espiritual?

9

1

1

Sim

“Eu não sinto”. “O grupo que me acolhe não tem”.

Não respondeu

Esp.: “O mundo espiritual é basicamente o mundo terreno, a única coisa que muda é que você não tem mais a carne”.

Esp.: “Preconceito é uma palavra nova”.

Esp.: “Aqui é igual aí”.

  1. Conforme sua percepção qual o motivo do preconceito que sofre as pessoas negras?

2

3

1

1

2

2

A – As pessoas brancas se acham superiores

B – A educação desde pequeno de que somos inferiores

C – A trajetória cultural.

A+B+C

Outros pensamentos

Não responderam

Esp.: “Você não quer pessoas diferentes. Você quer pessoas iguais a você, ou pelo menos da mesma cor, ou que pensem de maneira parecida. Você não aceita as diferenças”.

Esp.: “Pessoas brancas ensinam os filhos, os netos que somos inferiores, nos xingam de macaco. As crianças, muitas vezes, não têm consciência do que estão falando. Os pais são responsáveis, porque são eles que estão fazendo gerar o racismo”.

Esp.: “Os brancos se acham melhores do que nós e sempre é colocado na cabeça deles que somos inferiores. Só através de muito trabalho, de mudanças do comportamento das pessoas, muita luta da comunidade negra. Fomos praticamente tirados do mapa, nós não tínhamos história”.

Esp.:“Ensinam que Negro não tinha alma, não era gente, era uma coisa”.

  1. O que se faz para minimizar o preconceito com relação as pessoas negras?

1

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2

1

1

1

1

2

  1. Deveríamos ter as mesmas possibilidades. Oportunidades de emprego, moradia
  2. Número maior de pessoas a questionar e tentar mudar essa situação. Não parar de lutar
  3. Mudança grande na cultura
  4. Educação desde criança
  5. Cultivo às tradições (exemplo preto velho)
  6. Conseguir desenvolver nossas potencialidades
  7. Somos todos iguais
  8. A+B+ G
  9. C+E
  10. G+D
  11. D+F
  12. Não responderam

Esp.:“Chega lá do outro lado é tudo igual”.

Esp.:“Seria muito humilhante para uma pessoa branca ter que se reportar a um chefe, a uma pessoa negra”.

Esp.: Mudança muito grande na cultura. Ensinar as crianças, desde pequenininha, que não pode haver preconceito. Divulgar nossos conhecimentos. (Ex. Preto Velho) ”.

Esp.: “Solução tem é só querer. Enquanto não houver interesse mesmo, vai continuar tudo desse jeito ou pior”.

Esp.: “Um povo que tentou esconder a história do povo negro, do povo indígena, tentando não revelar o quanto fomos importantes aqui, então eu não sei o que fazer. Se eles não querem que a gente faça parte da história do país, do povo, então por que trouxeram a gente pra cá, para explorarem a gente? Eles nos devem muita coisa, um pouco mais de respeito, e divulgação sobre a importância do negro, não só no Brasil, mas também em vários países que utilizaram o negro com mão de obra, deveria ter uma história melhor contada”.

  1. Qual o impacto do preconceito com relação as pessoas negras para a evolução do espírito?

4

4

1

2

O impacto é grande

Atrasa a evolução, muita mágoa e sofrimento

Demora mais para ser uma pessoa mais amorosa

Não responderam

Esp.: “Dificuldade de você começar a preparar o retorno”.

Esp.: “Você sente muito ódio, fica tudo mais difícil”.

Esp.: “O que vai impactar a evolução é o aprendizado. Aquilo que você conseguiu resolver, conseguiu ter como experiência”.

Esp.: “Enquanto o poder do dinheiro e político for dominante fica difícil, pois sempre via ter um opressor e um oprimido”.

Esp.: “O impacto é grande. Existe aqui (plano espiritual) também preconceito. Dificuldade maior para esse retorno. Somos um pouco rejeitados, um pouco afastados”.

 

CONCLUSÃO

Os resultados da análise das comunicações recebidas no período da pesquisa indicam para o grupo a possibilidade de algumas conclusões:

  • No “plano espiritual” ou “plano extra físico” existem grupos que PLASMAM o ambiente. (Essa conclusão corrobora com uma pesquisa anterior do grupo).
  • A sensação de tempo lá é diferente do nosso. (Idem pesquisa anterior).
  • Nossos preconceitos continuam no plano espiritual, só com nosso aprendizado e experiências é que vamos evoluindo e os diminuindo.
  • Alguns motivos para o preconceito são:
  1. As pessoas brancas se acham superiores.
  2. A educação desde pequeno de que uns são inferiores aos outros.
  3. A trajetória cultural.
  • Para diminuir o preconceito:
  1. Deveríamos ter as mesmas possibilidades. Oportunidades de emprego, moradia etc.
  2. Um número maior de pessoas precisa questionar e tentar mudar essa situação. Não parar de lutar.
  3. Mudança grande na cultura.
  4. Educação desde criança.
  5. Cultivo às tradições (exemplo preto velho).
  6. Conseguir desenvolver nossas potencialidades.
  7. Reconhecer que somos todos iguais.
  • É muito grande o impacto do preconceito com relação às pessoas negras para a evolução do espírito. Com muita mágoa, raiva, sofrimento, fica muito mais difícil de sobrepujar as dificuldades.
  • As comunicações ratificam o equívoco de algumas literaturas “espíritas” que colocam a escravidão como oportunidade de melhoria e que os negros deveriam agradecê-la.
  • Grupos de pesquisas também ajudam os espíritos sofredores.
  • Todos temos responsabilidades em diminuir nossos preconceitos e entendermos que todos somos iguais.

Terminamos este artigo com as seguintes citações:

Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista. (Ângela Davis).

Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que fomos feitos para vivermos como irmãos. (Nelson Mandela).

AGRADECIMENTOS

Agradecimento especial a Ricardo A. Terini (GEEOA) que com sua paciência, determinação e profissionalismo, fez com que esta pesquisa se transformasse num artigo.

REFERÊNCIAS

  1. Césaire, Aimé: Discurso sobre o colonialismo. Ed. Veneta, 2008
  2. Cunha, Olívia.: Intenção e gesto: pessoa, cor e a produção cotidiana da (in)diferença no Rio de Janeiro, 1927-1942 . Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2002.
  3. Diop, Cheikh Anta: Nações Negras e Cultura. Da antiguidade negro-egípcia aos problemas culturais da África negra de hoje. Ed. Vozes, 2025
  4. Fanon, Frantz: Pele negra, Máscaras Brancas. Ed. Ubu, 2020
  5. Freire, Gilberto: Casa Grande e Senzala. Ed. Global, 2006
  6. Holloway, Thomas H: Polícia no Rio de Janeiro. Editora FGV, 1997.
  7. James, Cyril Leonel Roberto: Jacobinos Negros, Toussaint L’ Ouvertire e a revolta de São Domingos. Ed. Boitempo, 2024
  8. Kardec, Allan: O Livro dos espíritos. Trad. Herculano Pires, LAKE, 1979
  9. Kardec, Allan: O livro dos Médiuns. Tradução Herculano Pires, LAKE, 1987
  10. Kardec, Allan: Revista Espírita 1862 e 1864. Tradução Júlio Abreu Filho. Edicel, edição encadernada.
  11. Kilomba, Grada: Memórias da plantação. Episódios de racismo cotidiano. 1ª edição. Ed. Cobogó, 2019
  12. Revista Evolución: Artigo publicado na Revista Evolución – Esclavización – 2ª Etapa – Abril de 2022 – Nº 13)
  13. Ribeiro, Djamila: Pequeno manual antirracista. Companhia das Letras. 2020
  14. Silva, Alberto da Cosa e. A manilha e o Libambo. Editora Nova Fronteira.
  15. Vergès, Francoise: Um feminismo decolonial. Ed. Ubu. 2020.

 

 

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