A minha casa hoje tem uma trilha sonora que não para um minuto: a voz da minha filha. Com doze anos, ela descobriu que o mundo é grande demais para ficar calada, e eu assisto, entre sorrisos, a essa transição linda de quem está deixando de ser criança para virar uma menina cheia de opinião, que fala pelos cotovelos e argumenta sobre absolutamente tudo.
O motivo de tanta energia nas últimas horas tem hora marcada. Amanhã é dia de jogo do Brasil na Copa, e para ela isso não é só futebol. É um acontecimento.
Nós vamos sair para assistir ao jogo juntas, e essa programação simples foi o suficiente para transformar a nossa rotina em um evento. Ela já separou o look que vai usar, já planejou o cabelo, já me explicou mil vezes como imagina que vai ser o lugar e, claro, já deu seus palpites de placar com a certeza de quem entende tudo do assunto. Eu apenas escuto, concordo e me deixo contagiar.
É muito bonito ver como ela vive essa expectativa. Aos doze anos, a Copa do Mundo ganha uma cor diferente. Não é mais sóo o brinquedo ou a pintura no rosto de quando era pequena; agora é a vontade de estar junto, de vibrar com a galera, de sentir que faz parte de algo gigante. Ela quer o abraço na hora do gol, a bagunça com os amigos e a liberdade de gritar alto.
Ver a empolgação dela para o dia de amanhã me faz um bem danado. No meio da correria dos meus dias e das preocupações normais de adulto, essa ansiedade boa da minha filha me puxa para a leveza.
Amanhã o Brasil entra em campo, mas a minha maior vitória eu já comemoro todos os dias dentro de casa. Torço para que ela nunca perca essa energia boa, essa mania de falar quando o coração está cheio de alegria e essa capacidade linda de transformar uma tarde de futebol no melhor dia da semana.
