
Estar à frente de um grupo de jovens é, antes de tudo, um exercício de desarmar o coração. Quem olha de fora pode pensar que a função de uma coordenadora é guiar, ditar regras ou dar respostas prontas. Mas a verdade que encontro a cada reunião é exatamente o oposto: eu vou para ensinar, mas volto para casa aprendendo muito mais.
Cruzar a porta e encontrar aquela energia vibrante, cheia de expectativas, dúvidas e uma vontade gigante de mudar o mundo, funciona como um combustível. Na correria da vida adulta, onde tudo é tão cobrado, quadrado e cheio de prazos, o grupo de jovens é o meu respiro de leveza e verdade. Ali não existem as máscaras que o cotidiano nos impõe. Existe a vida acontecendo na sua forma mais pura.
Ser coordenadora desse grupo me faz um bem que mal consigo mensurar. É claro que existe a responsabilidade, o desafio de escutar os dilemas dessa fase tão intensa e o cuidado em acolher cada história sem julgamentos. Mas ver o amadurecimento deles, perceber o olhar de alguém que se sentia perdido ganhar brilho e acompanhar os laços que eles criam entre si é uma das maiores recompensas que a vida já me deu.
No fundo, aquele espaço faz mais por mim do que eu por eles. Quando eu divido a minha experiência, sou inundada pela esperança e pela espontaneidade deles. Eles me relembram, semana após semana, da importância de manter os pés no chão e a fé no futuro.
Saio de cada encontro com a alma lavada e o coração aquecido. Ser linha de frente desse projeto não é um peso, é um privilégio. É a certeza de que, ao estender a mão para ajudar a moldar o caminho dessa gurizada, sou eu quem ganha um rumo muito mais bonito e cheio de propósito.
