Por Genoveva Moraes, @genoveva.moraes, em 04/05/2025
Gente querida, eu gosto de fazer crochê, então vou falar na língua dos fios o meu sentimento para vocês.
Receba de coração aberto, o eco profundo de minha gratidão e o abraço que transcende distâncias. Este encontro não foi mero acontecimento, mas um momento singular e transformador na tecelagem de minha existência.
Até então, convivia digitalmente com alguns de vocês — almas que deslizavam como letras nas telas dos coletivos e coletivas, vozes que ecoavam em fóruns e manifestos. Porém, estar aqui, agora, respirando o mesmo ar que vos sustenta, trocando olhares que carregam histórias inteiras, foi mais que surpresa: foi bálsamo reparador para feridas que eu mesmo desconhecia.
Confesso: nos últimos tempos, meu espírito navegava em maré baixa. A solidão — essa névoa espessa que nos envolve quando ousamos enxergar o mundo além das lentes do poder — tecia em mim um manto de desalento. Neste ocidente em convulsão, onde a extrema direita ergue seus muros de ódio e exclusão, somos ilhas raras em um oceano de conformismo. Às vezes, questionava-me: “Será a lucidez uma sentença ao isolamento perpétuo?”
Mas então… Vocês chegaram.
Em seus gestos, palavras e silêncios, reencontrei fragmentos de minha própria alma. Ao ouvir vossas vozes — não mais eco solitário, mas coro vibrante —, a dor que carregava em segredo vai se dissolvendo como geada ao alvorecer. Percebi, então, que não estamos perdidos: quando mentes livres se entrelaçam, criamos trincheiras de luz contra a escuridão. Cada relato, cada sorriso compartilhado, foi lembrete potente: não somos loucos; somos faróis.
À família CEPA — arquitetos desta utopia tangível —, minha reverência. A cada abraço trocado, a cada história sussurrada, semeastes em meu espírito a coragem que hoje floresce como cerração no vale. Levarei vocês não como lembrança, mas como labareda inextinguível: exemplo vivo de que é possível, mesmo em Belo Horizonte, tecer uma rede de espíritas livres pensadores e pensadoras — não apenas seguidores e seguidoras, mas tecélages do amanhã; não trabalhadores isolados, mas consteladores de novos paradigmas.
