Todos Somos Necessários

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Quando concluímos nossos estudos na Sociedade Espírita Luz e Caridade, passei a integrar uma mesa mediúnica. Éramos cerca de doze participantes, muitos deles médiuns experientes, daqueles que impressionavam pela facilidade com que estabeleciam a comunicação espiritual. Era uma mesa dirigida pela querida Leda, personagem frequente nas minhas lembranças e em tantas histórias que guardo com carinho.

Os meses foram passando e eu continuava ali, fiel aos encontros semanais. Mas havia um detalhe que me incomodava: eu não sentia absolutamente nada. Nenhuma percepção, nenhuma emoção diferente, nenhum sinal que me fizesse acreditar que estava contribuindo de alguma forma.

Enquanto os demais participantes trabalhavam mediunicamente, eu ficava em silêncio, perguntando qual seria o meu papel ali.

Depois de três meses, comecei a pensar em desistir.

Afinal, deixava outras tarefas para comparecer àquelas reuniões e saía de lá com a sensação de que estava apenas ocupando um lugar que poderia ser de alguém mais útil. Naquela semana tomei uma decisão, eu iria pela última vez. Se nada acontecesse, eu não voltaria mais.

Cheguei à reunião carregando esse pensamento. As preces foram feitas, os trabalhos começaram, tudo transcorreu como sempre e, mais uma vez, eu não senti absolutamente nada.

Ao final, porém, aconteceu algo inesperado.

Uma das participantes, Eloá, que psicografava durante as reuniões, recebeu uma mensagem do mentor espiritual da casa. O texto explicava que nem todos os integrantes de uma mesa mediúnica têm a função de transmitir comunicações. Existem também os chamados médiuns de apoio, responsáveis por oferecer sustentação fluídica aos trabalhos, contribuindo para que outros médiuns possam realizar suas tarefas.

A mensagem afirmava que essa função era igualmente importante e que ninguém deveria se considerar inútil por não manifestar comunicações ostensivas.

Enquanto Eloá fazia a leitura, senti como se aquelas palavras tivessem sido escritas para mim.

Naquele instante, compreendi que a espiritualidade tinha respondido, com delicadeza, às perguntas que eu fazia em silêncio. Eu não era inútil. Apenas exercia uma tarefa diferente daquela que imaginava.

Mais tarde, descobri que outras pessoas da mesa também alimentavam a mesma dúvida. Todas acreditavam que, por não “dar passagem”, pouco contribuíam para os trabalhos mediúnicos.

Continuei participando. Poucos meses depois começaram minhas primeiras percepções mediúnicas. Aos poucos, vieram as comunicações que eu tanto esperava. Mas, naquele momento, elas já não eram o mais importante.

A maior lição eu já tinha aprendido antes.

Hoje, sempre que encontro alguém iniciando na mediunidade e angustiado por achar que “não acontece nada”, lembro dessa experiência. Numa equipe espiritual, assim como em qualquer trabalho humano, cada pessoa oferece aquilo que pode oferecer. Nem todas ocupam o mesmo lugar, mas todas são necessárias.

Na mesa mediúnica, como na vida, tem quem fale, tem quem escreva, tem quem acolha e também tem quem sustente o trabalho em silêncio.

Muitas vezes, são justamente aqueles que acreditam não fazer nada que tornam possível o trabalho de todos os outros, simplesmente com a sua presença e vontade de servir.

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