
Duas crianças brincam na areia de um parque. Pelo menos não estão confinadas em um condomínio fechado e apertado, presas em uma gaiola com suas asas cortadas. Ainda assim, continuam limitadas a um parquinho protegido por câmeras tecnológicas que vigiam tudo, vinte e quatro horas por dia, sob o olhar de um assalariado mal pago, que nem sabe o que fará com o salário do mês. Ao redor, outras crianças brincam: umas são heróis, outras são princesas.
As mães conversam entre goles de café, chá e biscoitos, sem deixar de vigiar constantemente os filhos, que ora caem e se machucam, ora discutem por causa de algum brinquedo. Mais ao fundo, algumas crianças se estapeiam por algum motivo qualquer. Crianças sendo crianças.
Os pingos de chuva, caindo a conta-gotas, refrescam o rosto de uma das mães que, pensativa, fita a areia como um felino observa sua presa.
— O que foi? Anda pensativa…
Entre um gole de café e outro, ela comenta:
— A areia, assim como muitos dos recursos naturais de que dispomos, não volta para o planeta depois de ser retirada. Ela é extraída da Terra e transformada em vidro. ENTENDA: a areia vira vidro. O vidro pode, sim, ser reciclado, mas continuará sendo vidro. NUNCA mais voltará a ser areia. E existem muitos outros recursos sendo desperdiçados de forma egoísta, sem que pensemos no futuro do planeta. Vamos cicatrizando a Terra continuamente e, em algum momento, esses recursos farão falta. Se estavam ali durante toda a evolução do planeta, é porque tinham sua razão de existir e o ser humano, em sua arrogância, continua destruindo a mãe Gaia.
