Lições da natureza

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Todos os dias, ao entrar ou sair da garagem, ela se mostra a mim. Eu a vejo em toda a sua beleza, suas cores e formas tão perfeitas! Uma profusão de flores, com matizes diferenciados e ah, um perfume que se espalha inebriando o espaço próximo!

Eu, então, observo o ambiente que ocupa: um pequeno espaço de terra dividido com grama e espremido entre duas paredes. Quanta sabedoria do jardineiro que a colocou ali, pois sabia que ela venceria as dificuldades daquele lugar diminuto e desafiador. E ela o venceu! Precisou de pouco para ali viver, crescer e desabrochar. Precisou de pouco para criar beleza e ser plena para o meu olhar, encantando-me todos os dias. Precisou de pouco para tanto me ensinar!

Ela, todos os dias, me convida a ser como ela, simbologia das superações!

Fala-me do possível a ser feito, não obstante todas as dificuldades e limitações que a vida nos impõe. Mostra-me que há beleza e utilidade realizável , nas condições mais frágeis, nas situações mais improváveis, nas oportunidades menos esperadas.

Então, fico pensando em como desperdiçamos chances de atuar de forma altruísta e efetiva no enfrentamento das vicissitudes da vida terrena. O quanto nos encolhemos e fraquejamos diante delas, quantas desculpas arranjamos para não agir, para fugir diante do menor tropeço surgido. Quanto, muitas vezes, preferimos as lamentações, as queixas e, frequentemente, as vitimizações, pois elas nos confortam e legitimam a própria inércia.

A flor da minha garagem é como uma flor entre rochedos! Ela cumpre sua finalidade independentemente de seu contexto, apesar dele. Aí está o seu valor! É isso que precisamos planejar para nós diante das provas dolorosas da vida. Lutar, resistir, enfrentar, dispormo-nos a vivenciar coragem, determinação. Pensar que, o Jardineiro de nossa vida, em sua sabedoria, deu-nos experiências necessárias e adequadas às nossas forças e possibilidades, à semelhança do jardineiro da minha flor da garagem.

Mas há algo que precisamos fazer: acreditar em nós mesmos e em nosso poder de realização. Desenvolver serenidade e equilíbrio nas horas dos vendavais, pois nada é para sempre, da forma como se apresenta para nós. Aprender a ler o livro da vida com sabedoria, situando no momento presente toda nossa energia criativa, pois só ele, o presente, de fato nos pertence. Quanto estresse evitaríamos focando na situação a ser vencida, no agora. Aceitar o contexto presente, compreender suas causas, suas razões e a nossa responsabilidade nelas, poderá nos ser de grande auxílio para transpor e resolver problemas existenciais.

Como a minha flor que absorve o calor do sol e a chuva renovadora será importante perceber que, nem sempre, conseguimos seguir adiante sem as oportunas ajudas, sem os decisivos apoios, sem a generosa fraternidade que nos manterá de pé, íntegros e reenergizados para prosseguir. Buscar e permitir essa ajuda será vital. Saber usufruir dela sem ficarmos dependentes, também será importante, pois autonomia no gerir a nós mesmos no processo de cura pessoal é fundamental. A ajuda saudável quer autonomia, não subserviência ou dependência prolongada no tempo.

Esta é a tarefa de todos nós, na Terra: viver experiências que nos eduquem sempre mais, que nos permitam florescer e realizar o papel que nos cabe, no lugar que ocupamos no mundo, mesmo que ele seja desafiador, difícil , cheio de limitações, pois é precisamente deste lugar que precisamos e é nele que floresceremos para, como a minha flor, realizarmos o milagre da vida em nós mesmos e inspirar outros a fazer isso, também.

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