Cirurgias plásticas, esportes, ginástica..,.Retardar o envelhecimento é preciso. Claro que é bom mantermo-nos jovens e saudáveis.
Mas, o tempo sempre será implacável e a vida é marcada por ciclos que nos cabe aceitar, respeitar e administrar.
Sob certo aspecto, envelhecer é bênção que nem sempre valorizamos. Só uma concepção materialista da vida entrevê no envelhecimento a proximidade do fim. Essa visão leva-nos a perder o sentido da vida. Com 50 ou 60 anos, aposentados e com filhos criados, achamos que já cumprimos nossa tarefa e que temos o direito à ociosidade. Aí sobrevém o envelhecimento da alma. Sem objetivos, a vida se esvai. Envelhecido, o espírito emperra. Estaciona. Afasta-se do progresso, que é lei universal, destinada a reger a vida em todas as dimensões.
Quando sabemos que a morte não é o fim e que, depois dela, não nos espera nem um céu de ociosidade nem um inferno de penas eternas, mas, simplesmente, a continuidade da vida, descortinando novas experiências, aprendemos a valorizar a velhice como fase importante no processo educativo do espírito.
“Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre; esta é a lei”, inscreveu-se, com acerto, na lápide de Allan Kardec, no cemitério Père-Lachaise, de Paris, numa ode à vida, em qualquer fase e circunstância.
Por certo, Olavo Bilac, o extraordinário poeta brasileiro, intuiu essa realidade, quando em famoso soneto, evoca o exemplo das velhas árvores e recomenda aos velhos:
“Não choremos, amigo, a mocidade./
Envelheçamos rindo, envelheçamos/
Como as árvores fortes envelhecem/
Na glória da alegria e da bondade,/
Agasalhando os pássaros nos ramos,/
Dando sombra e consolo aos que padecem”.
