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Conceito de Panteísmo
O Panteísmo é uma crença filosófica e religiosa de que Deus e o Universo são a mesma coisa. A palavra tem origem grega, unindo “pan” (tudo) e “theos” (deus), significando literalmente “tudo é Deus”, que deus ou deuses estão em todas as coisas. Nessa visão a divindade é concebida como a própria totalidade da natureza e do cosmos.
O conceito de panteísmo, cujas raízes filosóficas remontam à Grécia Antiga em pensadores como Heráclito e os estoicos, foi formalizado na Era Moderna (1453-1789) pelo matemático inglês Joseph Raphson (1648-1715). A partir dos radicais gregos “pan” e “theos”, ele cunhou, na obra “De Spatio Reali”, o termo “pantheismus” em 1697, representando a ideia monista de que o Universo e Deus são uma única substância indivisível.
O filósofo irlandês John Toland (1670-1722) ampliou a utilização do termo em 1705, popularizando-o na língua inglesa. Embora o termo tenha surgido posteriormente, ele passou a ser amplamente utilizado para classificar e debater a filosofia do pensador holandês Baruch Spinoza (1632-1677), cuja obra máxima, Ética (1677), tornou-se o maior pilar do panteísmo moderno.
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Ideias principais do Panteísmo
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Divindade imanente: Deus está inserido no mundo e não fora dele. Não existe barreira entre o Criador e a criação;
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Substância única: tudo que existe faz parte de uma única substância divina universal;
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Rejeição ao antropomorfismo: Deus não possui sentimentos humanos, vontade própria, caprichos ou a forma de homem idoso no Céu;
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Reverência à natureza: o cosmos, as leis da física e o mundo natural devem ser reverenciados como o próprio corpo divino.
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Principais defensores do Panteísmo e Épocas
Antiguidade (Séculos VI a.C – III d.C.)
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Heráclito (535 a.C. – 475 a.C.): filósofo grego pré-socrático que entendia o Universo governado por um “Logós” (razão ou inteligência universal suprema), eterno e idêntico à própria natureza.
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Filósofos Estoicos (Sec. III a.C. em diante): pensadores como Zênon de Cítio (334 a.C. – 262 a.C.) e Marco Aurélio (121 d.C – 180 d.C.) acreditavam que Deus era a “alma racional do mundo”, uma força animadora (vital) presente em cada átomo.
Renascimento (Século XVI)
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Destaca-se a figura de Giordano Bruno (1548-1600). Foi um frade e filósofo italiano que defendeu que o universo era infinito e animado por uma “alma universal divina”. Suas ideias bateram de frente com os dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana, resultando em sua execução na fogueira, pelo movimento da chamada Inquisição Católica.
Idade Moderna (Séculos XVII – XVIII)
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Sobressai-se o filósofo holandês Baruch Spinoza (1632-1677), de origem judaica, como o maior expoente do Panteísmo. Ele sintetizou o conceito na famosa expressão em latim “Deus sive Natura” (Deus ou a Natureza). Para Spinoza, existe apenas uma substância no Universo, que é Deus, tudo o que vemos são modos ou modificações dessa substância.
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John Toland (1670 – 1722): filósofo irlandês que popularizou o termo na língua inglesa e defendeu uma visão panteísta estritamente materialista, onde a própria força motriz da matéria e as leis da natureza constituem o divino.
Idade Contemporânea (1789 aos dias atuais)
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Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832): poeta e escritor alemão, adotou a visão de Spinoza de que a natureza e o divino são indissociáveis, expressando isso em suas obras.
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Albert Einstein (1879-1955): físico teórico alemão, declarou abertamente que acreditava no “Deus de Spinoza” – um Deus que se revela na harmonia e nas leis ordenadas do universo, e não em um Deus que se preocupa com o destino e as ações dos seres humanos.
Observação: Estoicismo é uma filosofia de vida, fundada na Grécia Antiga, que busca a felicidade (eudaimonia) e a paz de espírito (ataraxia) por meio da razão e da virtude. Sua premissa é de que não podemos controlar o que acontece ao nosso redor, mas podemos controlar como reagimos a esses eventos (dificuldade, incertezas, estresses etc.).
Propunha a divisão do mundo em duas categorias:
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o que está sob nosso controle: pensamentos, desejos, reações e ações;
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o que não está sob nosso controle: as ações dos outros, o clima, economia, a saúde, o passado e o futuro.
Esta divisão entre o que controlamos e o que não controlamos ficou conhecida na filosofia como a “Dicotomia do Controle“. O sofrimento nasce quando tentamos controlar o incontrolável. Viver de acordo com a natureza significa usar a razão humana, nossa maior qualidade para agir de forma lógica e socialmente responsável, aceitando os eventos incontroláveis que a vida impõe. Para isso é preciso praticar a moderação e dominar os próprios impulsos.
Os principais defensores dessa filosofia foram Zênon de Cítio (334 a.C. – 262 a.C.), Epicteto (50 d.C – 135 d.C.) e Marco Aurélio (121 d.C – 180 d.C.).
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Panteísmo: Visão Espírita
O Espiritismo rejeita a concepção panteísta de Deus como a soma de tudo que existe, físico e espiritual, e que todas as coisas vivas e inertes fazem parte e compõem a substância divina.
O Espiritismo não aceita o conceito de que Deus é a natureza ou suas leis e que a morte física do ser humano é o fim do “Eu – ser individual”. Rejeita a ideia panteísta de que, após a morte, os átomos e a matéria que formavam o corpo físico se desfazem junto com a mente e voltam a integrar o ciclo natural do cosmos, ou seja, de que toda a realidade humana dissolve-se, então, no “todo”, o “oceano universal”.
Assim, no Espiritismo, o Panteísmo não se refere somente ao conceito de Deus, mas também ao conceito de Espírito, quando é defendida a ideia de que com a morte física tudo retorna ao “todo / natureza”, sem a preservação de uma consciência ou personalidade individual. Tanto o Deus quanto o homem panteístas não são aceitos pelo Espiritismo, pois Deus, para a Filosofia Espírita, não se confunde com a sua criação ou criaturas, sendo entendido como a “Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, Questão 1).
Além disso, o espírito humano, no Espiritismo, é considerado imortal, preservando-se sua personalidade, consciência e memória após a morte física, na vida espiritual, jamais confundido num “todo universal”. É a esta ideia de rejeição do Panteísmo que Kardec refere-se em sua observação ao item 148 do Capítulo III – Soluções de Alguns Problemas Pela Doutrina Espírita, da obra “O que é o Espiritismo”.
Referências.
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Allan Kardec, O Livro dos Espíritos.
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Allan Kardec, O que é o Espiritismo.
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